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Síntese Caritas in Veritate


Depois de sua primeira encíclica Deus Caritas est (Deus é Amor) o papa Bento XVI lançou no último dia 29 de junho sua segunda carta intitulada: Caritas in Veritate (Caridade na Verdade). Mais uma vez Bento XVI aborda a temática do amor, sempre afirmando que esse amor é o próprio Deus de quem tudo provém. O ponto central dessa carta encíclica é que o verdadeiro desenvolvimento humano é impossível sem Deus. A caridade na verdade é a pratica do bem realizada pelos homens e atingindo o seu máximo sentido, pois essa verdade presente nas ações humanas não é produzida por sua própria inteligência, mas é buscada e encontrada. Essa verdade é a essência da verdadeira caridade que é Deus.

O Homem sem Deus não é capaz de realizar um verdadeiro humanismo. Um desenvolvimento apenas técnico ou tecnológico e que esquece e consome o próprio homem, não pode ser considerado humano. Apesar de todas as conquistas que fazem do nosso mundo contemporâneo um assombroso milagre da tecnologia, ainda não se consegue leva-lo aos mais necessitados, ficando esquecidos paises inteiros que não conseguem se desenvolver.

A única verdade capaz de converter o coração do homem para o próprio homem é Deus. Todos os homens têm direito de usufruir do desenvolvimento e a falta da verdadeira caridade impede que essa partilha aconteça. Quando o amor se afasta da verdade “torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente”. (Caritas in Veritate nº3)

O papa ainda afirma que a verdadeira caridade é que dá substâncias as relações humanas desde as inter-pessoais até as macro-relações políticas, econômicas, e culturais de onde se espera que a justiça seja realizada plenamente contemplando a todos os homens e ao homem todo. Justiça essa que não pode exceder a caridade, pois pratica-la é dar ao próximo o que já lhe pertence, esse deveria ser, no mínimo, o papel do estado. Por outro lado a Caridade é dar ao próximo daquilo que é meu, portanto excede o direito. No entanto não se pode separar a caridade da justiça. A justiça é o primeiro caminho para a Caridade, e citando Paulo VI ele diz: “A justiça é a medida mínima da Caridade”.

Para Bento XVI o cristianismo é necessário indispensável a uma sociedade que quer evoluir no caminho do amor e da justiça: “No atual contexto social e cultural, em que aparece generalizada a tendência de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a adesão aos valores do cristianismo é um elemento útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integra”. Por fim o Papa afirma que somente na verdade é que a caridade brilha e pode ser autenticamente vivida. “A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral”.

 

 
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