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Uma cultura e uma política da família

O tema deste VI Encontro das Famílias A família formadora nos valores humanos e cristãos recorda que o ambiente doméstico é uma escola de humanidade e de vida cristã para todos os seus membros, com consequências benéficas para as pessoas, para a Igreja e para a sociedade. Com efeito, o lar é chamado a viver e a cultivar o amor recíproco e a verdade, o respeito e a justiça, a lealdade e a colaboração, o serviço e a disponibilidade para com o próximo, especialmente com os mais frágeis. O lar cristão, que deve "manifestar a todos a presença viva do Salvador no mundo e a natureza autêntica da Igreja" (Gaudium et spes, 48), deve estar impregnado da presença de Deus, colocando nas suas mãos as vicissitudes quotidianas e pedindo a sua ajuda para cumprir de maneira adequada a sua missão imprescindível.
Para isto, é da máxima importância a oração na família, nos momentos mais oportunos e significativos, pois como o próprio Senhor assegurou: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles" (Mt 18, 20). E o Mestre está certamente com a família que ouve e medita a Palavra de Deus, que aprende dele aquilo que é mais importante na vida (cf. Lc 10, 41-42) e põe em prática os seus ensinamentos (cf. Lc 11, 28). Deste modo, transforma-se e melhora-se gradualmente a vida pessoal e familiar, enriquece-se o diálogo, transmite-se a fé aos filhos, acrescenta-se o gosto de estar juntos, e o lar une-se e consolida-se mais, como uma casa construída sobre a rocha (cf. Mt 7, 24-25). Os Pastores não deixem de ajudar as famílias a saborear fecundamente a Palavra de Deus na Sagrada Escritura.
Com a força que brota da oração, a família transforma-se numa comunidade de discípulos e missionários de Cristo. Nela acolhe-se, transmite-se e irradia-se o Evangelho. Como dizia o meu venerado predecessor, o Papa Paulo VI: "Os pais não somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido" (Evangelii nuntiandi, 71).
A família cristã, vivendo a confiança e a obediência filial a Deus, a fidelidade e o acolhimento generoso dos filhos, o cuidado pelos mais frágeis e a prontidão a perdoar, transforma-se num Evangelho vivo, que podem ler (cf. 2 Cor 3, 2), em sinal de credibilidade talvez mais persuasivo e capaz de interpelar o mundo contemporâneo. Há-de levar também o seu testemunho de vida e a sua explícita profissão de fé aos diversos âmbitos do seu encontro, como a escola e as várias associações, assim como comprometer-se na formação catequética dos seus filhos e nas actividades pastorais da sua comunidade paroquial, de maneira especial nas que estão relacionadas com a preparação para o matrimónio, ou voltadas especificamente para a vida familiar.
A convivência no lar, demonstrando que a liberdade e a solidariedade se completam, que o bem de cada um deve ter em consideração o bem dos outros, que as exigências da justiça estrita devem estar abertas à compreensão e ao perdão, em benefício de um bem comum, constitui uma dádiva para as pessoas e uma fonte de inspiração para a convivência social. Com efeito, as relações sociais podem tomar como referência os valores constitutivos da autêntica vida familiar, para se humanizar cada vez mais e orientar-se rumo à construção da "civilização do amor".
Além disso, a família constitui também a célula vital da sociedade, o primeiro e decisivo recurso para o seu desenvolvimento, e muitas vezes é o último amparo das pessoas que as estruturas estabelecidas não chegam a atender de maneira satisfatória nas suas necessidades.
Pela sua função social essencial, a família tem direito a ser reconhecida na própria identidade e a não ser confundida com outras formas de convivência, assim como a poder contar com a devida tutela cultural, jurídica, económica, social, médica e, muito particularmente, com um apoio que, tendo em consideração o número dos filhos e os recursos económicos disponíveis, seja suficiente para permitir a liberdade de educação e de escolha da escola.
Por conseguinte, é necessário desenvolver uma cultura e uma política da família, que sejam impelidas também de maneira organizada pelas próprias famílias. Por conseguinte, encorajo-vos a unir-vos às associações que promovem a identidade e os direitos da família, em conformidade com uma visão antropológica coerente com o Evangelho, enquanto convido tais associações a coordenar-se e a colaborar entre si, para que a sua actividade seja mais incisiva.
Ao concluir, exorto todos vós a ter uma grande confiança, pois a família está no coração de Deus, Criador e Salvador. Trabalhar pela família é trabalhar pelo futuro digno e luminoso da humanidade e pela edificação do Reino de Deus. Invoquemos unidos humildemente a graça divina, a fim de que nos ajude a colaborar com afinco e alegria na nobre causa da família, chamada a ser evangelizada e evangelizadora, humana e humanizadora.

Losservatore Romano - 24/01/09


 

 
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