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Comunicando a mensagem

Sempre que somos convidados para fazer uma palestra ou uma pregação, perguntamos sobre o que querem que falemos então nos apresentam um tema, algumas vezes ainda nos informam sobre os objetivos que devemos atingir. É verdade que em muitos casos parece que esperam que sejamos a solução de todos os problemas do grupo para quem vamos falar. Embora as expectativas sejam nesses casos muito diversas, cabe-nos organizar nossa pregação em torno do tema e sintetizar todos os objetivos que nos deram em uma mensagem clara e objetiva. Sem essa clareza e objetividade nosso trabalho terá volume, mas não será compreensível, pois a conclusão será confusa uma vez que são muitos os focos. Além disso, a falta de foco deixa margem para que as pessoas destaquem fragmentos de nosso discurso nem sempre principais e corremos o risco de ser mal interpretados.

O correto é que nossa mensagem seja rica em significados e a mais compreensível possível, afinal, é o pregador quem determina o que as pessoas devem guardar de seu discurso, ou seja, a qualidade da pregação ou da palestra está na capacidade do pregador evidenciar sua mensagem. Do ponto de vista técnico, a boa pregação é aquela que desperta expectativas e atende a essas expectativas satisfatoriamente, e na conclusão arremata com boa definição sua mensagem, não permitindo que os ouvintes fiquem divididos em compreensões muito diversas.

Tudo isso nos mostra que a pregação não é um tratado teológico sobre alguma coisa. Quanto mais fundamentos literários e documentais, e quanto mais necessidade de afirmação menos interessante e menos útil fica a pregação. É claro que uma parcela dos que nos ouvem é bastante psíquica identificando-se muito com um discurso mais técnico, mas não é a maioria das pessoas. Este é um perfil mais de ensino em que o discurso precisa dar muitos caminhos de esclarecimento para as pessoas apelando ao seu psiquismo, pois trata-se de uma mudança de conceitos pré-elaborados. A pregação se caracteriza mais pelo encantamento, a sensação de satisfação pessoal e o despertar da fé, ainda que isso seja pouco racional.

O êxito do pregador está na sua agilidade em se fazer próximo de seus irmãos que o ouvem, por isso a pregação é mais uma relação humana do que uma demonstração de técnica. Entendemos a pregação como uma experiência única na vida da pessoa para aquele momento exato, e por isso a necessidade de ser simples e clara, acessível a todos. A alegria sentida comumente nas boas pregações é fruto da compreensão. A experiência de compreender é uma forma de entrar em comunhão e de ser admitido na vida do outro, quando nos acham complicados ou extremistas é como se não acontecesse essa comunhão entre nós e o público, mesmo sendo considerados sábios e superiores. O problema é que muitos pregadores se contentam com isso.


 

 
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