Quando uma comunidade nova surge, não raras vezes se vê completamente envolvida com a atividade missionária, passando com isso a ignorar o cultivo das relações fraternas e também a necessidade de formar seus membros para assumir o compromisso de consagração ante a Igreja e o mundo. A formação exige dedicação e seriedade, caso contrário nossas comunidades não cumprirão sua missão neste mundo.
O processo formativo da comunidade deve tocar todas as dimensões da vida humana para que a pessoa possa amadurecer para a consagração de vida, configurando-se radicalmente à pessoa do Cristo, provando do “estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4, 13).
A consagração realiza-se em nós como um relacionamento profundo, uma fusão entre nós e nosso Deus. Transforma-nos sem que deixemos de ser nós mesmos, sem que percamos nossa identidade, confirmando-a e aperfeiçoando-a.
Em toda a história, a vida consagrada é reconhecida pela vivência dos conselhos evangélicos. No entanto, o que vemos nas novas comunidades de vida e aliança é novo e extraordinário, pois não se trata de religiosos que professam votos, mas de leigos, às vezes famílias inteiras, assumindo o compromisso de viver a obediência, num mundo que enaltece a “liberdade”; a pobreza, numa sociedade profundamente consumista; e a castidade, num tempo em que as pessoas envelhecem sem amadurecer. Ai está todo o desafio da formação destes futuros consagrados: torná-los maduros para assumir compromissos por toda a vida, sem esmorecer diante das crises pessoais e comunitárias, frente às tribulações e tentações desta vida.
Inúmeras são as comunidades que se preocupam somente em formar grandes pregadores, excelentes músicos, mas se esquecem de fazê-los consagrados e por isto, acabam pagando um alto preço, pois quando estes optam por seguir carreira solo ou mesmo decidem ir embora, ainda que sem ter total compreensão do motivo, sentindo que a comunidade não lhes deu tudo o que esperavam, estas ficam completamente fragilizadas, correndo inclusive o risco de extinguirem-se.
O maior apelo de Deus para as novas comunidades é realmente que elas formem autênticos consagrados, não há nada melhor que possam realizar. Se nossas comunidades conseguirem forjar consagrados estarão de fato oferecendo alta qualidade em toda a evangelização. Se for mesmo pelo fruto que conhecemos a àrvore (cf. Mt 12,33), o melhor fruto que uma comunidade pode produzir são pessoas consagradas.
Aproveitando a deixa, quero fazer menção ao I Fórum das Novas Comunidades de Vida e Aliança que será realizado pela Confrater (Região Belém de São Paulo), onde abordaremos o tema Consagrados para o Seguimento e a Missão de Cristo. Acontecerá nos dias 24 a 26 de julho de 2009 no Colégio Nossa Senhora do Sagrado Coração, na Vila Formosa – SP. Maiores informações podem ser obtidas pelo e-mail vocacional@espacovida.com ou pelo telefone (11)2084-8476.
Deus nos abençoe!
Camila Santos
Formadora Geral