Em toda a história da humanidade a verdade sempre foi considerada importante objeto de investigação. O homem deseja conhecer sua origem e seu fim, aspira compreender a razão de sua existência. No entanto, embora seja estimada a verdade torna-se também um grande desafio para todo ser humano, pois este nem sempre pode suportá-la (cf. Jo 16,12).
Não é tanto sobre a verdade das coisas que o homem se debruça, mas o que mais o inquieta é a verdade sobre si mesmo, pois do que vale o conhecimento de tudo o que lhe é externo se não sabemos lidar com as tormentas do nosso interior. Diante de muitos filósofos que estavam a questionar a verdade das coisas, Sócrates invocou um saber ainda mais extraordinário: “Conhece-te a ti mesmo”!
Cada homem e mulher feitos à imagem e semelhança de Deus têm em si a única verdade capaz de libertá-los de seus enganos e ilusões, de seus vazios e falta de sentido, pois somente o conhecimento desta Verdade absoluta os levará à compreensão da autêntica razão de sua existência.
Muitas vezes tememos a verdade por ela nos revelar a causa de nossos fracassos pessoais, nos angustia compreender que não bastamos a nós mesmos, que somos insuficientes diante de nobres e grandiosos ideais que trazemos em nosso coração, mas se nos dispusermos a encontrar a Verdade (cf. Jo 14,6) que nos revela a nós mesmos então estaremos ante àquele Senhor que tem a habilidade de tornar-nos tudo o que realmente podemos ser.
Certa vez ouvi uma frase um tanto inusitada: “Sou o que Deus pensa de mim”, nela percebi que somente sob a ótica do Senhor conseguimos superar nossas misérias a ponto de “sermos de fato o que já somos em projeto” (Martinez). Talvez hoje seja difícil suportar as imperfeições das pessoas que convivem conosco, isto é claro se nos colocarmos numa plataforma de superioridade, mas ao sermos libertos pela Verdade (cf. Jo 8,32) que traduz o legítimo significado de nossas opções, atitudes e conceitos, somos deslocados para a realidade de modo que possamos despertar para a sensibilidade, a compaixão, a reconciliação para com os que nos decepcionaram.
Aquele que não admite suas próprias limitações jamais compreenderá os limites dos outros, permanecerá inapto para relacionar-se com quem quer que seja, ficará aprisionado no mais terrível cárcere: não poder ser o que é. Parece estranho ler isto, mas como disse no principio fomos criados à imagem e semelhança de Deus e Ele é a fusão de três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – é puro relacionamento. Por isso te convido a buscar a Verdade, com um belo convite: “Torna-te aquilo que és”!